segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Sinfonia milenar


As árvores dançam ao som da sinfonia

de cigarras, grilos, rãs e assanhaços...
Até o sol agradece e se despede
para deixar os outros verem o esplendor que há
em assistir o cair da noite
ao som de uma orquestra tão rudimentar.

E quando a luz se esvanece
fica silencioso o lugar
até que ecoam as primeiras notas
da relva, das estrelas e do luar.

O tecer das teias, as batidas de asas,
o piar rouco, o leve ronronar
dão inicio, agora e desde sempre
ao ciclo milenar.

De roçar de dedos
O piscar de olhos
E o leve suspirar.


Lara S.

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Olhar de Borboleta


Às vezes queria poder saber o que você está sentindo.
Queria desvendar os seus pensamentos. Queria estar com você em cada vão momento.
Já não sei o que sinto.  Pra falar a verdade, a palavra sentir não tem mais sentido pra mim. Parei com isso há muito tempo.
Você está sempre tão centrada, tão pensante, tão...
Cada ângulo que vejo seu olhar entendo que há algo novo. Que esses olhos sempre vão guardar algo. Algum segredo, algum mistério, alguma mágoa, algum amor.
Queria entender o que é isso que te faz chorar sempre que tem algum pensamento que me esconde. Queria poder sentar com você num dia frio de outono e simplesmente ver as folhas caindo, como fazíamos antes. Queria poder testemunhar a intensidade deste olhar, que, faz com que tudo em sua volta se torne mágico e impressionante.
Queria poder me juntar a você numa noite quente de verão e ver como seus olhos se camuflam facilmente com as estelas. 
Queria poder adiantar o inverno para poder segurar suas mãos, mas só me aquecer com a intensidade do teu sorriso.
Queria poder entender como a primavera consegue te deixar triste. Fazendo de ti só mais uma flor num imenso jardim.
 Querida, por que será que estou sentindo você distante? Logo eu, que não sinto nada vejo o quão diferente você está.
Quero saber para onde foi seu sorriso, que faz inveja aos astros. Quero saber onde você trancou sua voz, que fazia os pássaros virem até nos nas tardes de domingo quando a soltava tão levemente. O que você fez com seus olhos? Onde foi parar aquele esplendor?
Agora só vejo lágrimas em seu rosto.
Agora, só vejo a tristeza e angustia presas em você.
  Agora, mais do que nunca, entendo o que você queria dizer quando falava...
  Agora entendo por que em certas horas seus olhos ficavam cinzas.
Agora cada palavra faz sentido. Você dizia que até as borboletas já foram lagartas, e que mesmo que um dia elas se prendessem em seu casulo, uma hora teriam que sair, e mostrar para o mundo como é bom poder voar.
 E justo agora que eu saí, espero não ter te perdido.
 Agora que posso voar, queria te ter ao meu lado.
Mas agora entendo que vou ter que esperar. Vou ter que esperar você sair do casulo de magoas que criei.
E até lá, será a minha vez de te ensinar a amar.

Lara Sousa

quinta-feira, 24 de maio de 2012

Olhos de ver

 Eu queria poder dizer, queria saber falar sobre um mundo. Um outro mundo que não é o que eu vejo, mas não consigo. Por favor, não me condene só por que não sei viver na realidade.

 Não consigo ver 'só um céu', 'só algumas pessoas', 'só uma sala vazia'.
Não consigo.
 Eu não vejo nuvens, não vejo uma flor, nem tão pouco um grupo. Eu enxergo sonhos no céu, alegria nas pessoas, esperança numa sala. 
Eu vejo um paraíso numa flor, e as luzes da felicidade num grupo.

 Então naõ me pergunte sobre o clima, eu raramente direi se está fazendo frio ou calor, eu simplesmente ficaria ali, para, olhando para o mundo com esses olhos, meus olhos, que veem acima de tudo a mágica que exite nos momentos mais simples.
Não me pergunte que dia é hoje esperando escutar números, pois eu simplesmente direi que hoje é o dia de ver, de viver a vida com a pureza, a leva, com a  luz e a simplicidade do sorriso de criança.

  Não quero ser alguém que olha para uma poça e pensa em não se molhar. Mas sim, aquela que ao enxergar o seu reflexo nela se perde em mil pensamentos.

Lara Sousa